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A imagem que muitos têm do Paraguai está ligada à contrabando, suborno, produtos falsificados... enfim, tudo que esteja associado à má qualidade. Assim como outras imagens positivas ou negativas que temos de outros países e seus povos.
Por isso mudei o roteiro da viagem e de Ciudad Del Este segui para a capital Assunção.
Eu, viajante brasileiro em busca da desconstrução de estereótipos, precisava observar mais de perto e reconstruir a imagem do país à minha maneira, desta vez baseada em experiência pessoal.
Já no ônibus, assim como acontecera em Ciudad Del Este , vi e conheci mulheres bonitas, gente simpática e agradável, que aos poucos minavam minha atenção relativista e quase rígida – fiel companheira de viagem – que não me deixa enveredar por generalizações ou percepções romantizadas comuns a um visitante encantado.
Ainda bem.
Assim deu pra encarar numa boa aquele vômito na minha perna, da pobre criança que passara mal durante a última parte da viagem.
Chegando, o centro; curiosamente discreto. E as pessoas; aparentemente tranqüilas e discretamente curiosas.
O Roger, gerente do restaurante mexicano, um paraguaio de nome inglês e que já morou no Brasil, me convida para o concurso de karaokê que vai acontecer um pouco mais tarde ali mesmo no restaurante.
A Viki, que eu conhecera no ônibus, é obstetra e faz trabalho voluntário na Cruz Vermelha. Caminhamos pelo centro tomando tererê, uma espécie de chimarrão gelado. Ela faz questão de carregar, em pleno centro da cidade, a pesada jarra de água gelada e mate pra abastecer o tererê.
Ambos, em situações distintas, me dão seus números de telefone e se oferecem para me acompanhar pela cidade.
E ainda tem o dono do hotel que conversa muito, com o espanhol carregado pelo forte sotaque guarani.
Boa parte da população é bilíngüe.
E assim, aos poucos, recriam minha imagem pessoal e bem menos estreita do país visitado.
Deixando o Paraguai rumo ao nordeste argentino, o ônibus pára na fronteira.
O rapaz argentino que ia sentado na poltrona ao lado carregando cocaína numa mochila passa numa boa.
Eu não. Esquecera de pedir o visto de entrada quando sai de Ciudad Del Este.
O fiscal do posto policial no Paraguai me chama à sua sala e com uma naturalidade impressionante me cobra suborno pra que eu possa seguir viagem. Aceitava reais, pesos argentinos ou guaranis; a moeda local. E eu, que só tinha notas de valores altos suspeitei que ele não me daria troco.
Sorte que no ônibus conheci a pianista Mary; argentina simpática que me emprestou dinheiro trocado.

criado por Edson
19:05:36