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Interessante como a reação acerca de um lugar, visto in loco ou mostrado em algumas fotos, pode variar de acordo com o olhar, a experiência ou o estado emocional de cada um; pode ir da beleza à melancolia; da obviedade de uma paisagem de cartão-postal à curtição solitária de um pôr-do-sol, montado numa bicicleta à beira de um penhasco na costa sul da Inglaterra.

Verão de 2004. Pouca grana e muita curiosidade. Fiquei sabendo de um lugar fantástico, a umas 2 horas de onde eu morava. Preparei o lanche, a bicicleta e embarquei no trem rumo aos penhascos de Beachy Head. Chegando a Eastbourne, típica impressão de cidadezinha costeira da Inglaterra, com píer, pubs, aposentados e tranqüilidade; afinal era tarde de domingo.
Pedalando pela costa, em caminhos de terra cada vez mais altos que o nível do mar, a impressão era de estar em um parque.
Muitas subidas, muitos morros íngremes; difíceis de subir. Paisagens bucólicas. Bancos convidativos. Tudo muito imponente, vasto e com o mar ali ao lado.
Depois de muito esforço, atrás do morro maior, finalmente o farol, no ponto mais alto e mais bonito. Fascinante. O fim de tarde nos ondulados penhascos de Beachy Head deixava tudo ainda mais bonito.

Ou melancólico.
Logo depois da minha visita, li num jornal que um grupo de voluntários organizara rondas para evitar que mais pessoas se jogassem do alto do penhasco.
Beachy Head é um lugar internacionalmente conhecido pelo número de suicídios que ali ocorrem.
Consta que já veio gente do Japão pra se jogar de lá.
criado por Edson
22:20:43