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Depois de viajar durante dois anos pela América do Sul, Arnaldo viu muita coisa: chorou ao ver a miséria da Bolívia, se encantou com as mulheres argentinas e não gostou muito do Uruguai; “meio vazio durante o inverno”.
Gostou muito de tudo, conheceu muita gente e já fala em viajar pela América Central, mas agora quer mesmo é voltar pra Colômbia e gravar algumas músicas com seu violão.
Cansou.
Viajar sem dinheiro é difícil, dizia freqüentemente.
Dias depois o reencontrei e, intrigado com a aparente contradição entre os relatos entusiasmados de viagem e o intenso desejo de voltar a seu país, perguntei:
“Mas e aquela historia que diz que o interessante é justamente crescer com as dificuldades, conhecer-se melhor, aprender sobre a vida... ?”
“Aprendi a não viajar mais sem dinheiro”, disse o simpático e agora cansado colombiano.
Woulde nasceu na Etiópia. Deixou seu país em julho de 2004 e passou por cinco países antes de chegar ao Brasil.
Fala bem inglês mas tem bastante dificuldade com o idioma local.
Ficou preso durante um tempo na Polícia Federal. Dois irmãos seus morreram nas guerras no seu país, o qual ele se refere como "país de merda".
Woulde me parece ter um olhar esperançoso mas aparenta impaciência e não raro reclama de não ter trabalho e das demais dificuldades que tem enfrentado: "Cinco países jé me expulsaram. Não é fácil meu amigo".
Tem 31 anos e sempre me cumprimenta com educação e um sorriso no rosto.